segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Perfeitamente variável

O modo que cada um analisa e menospreza o que recebe é uma variável interessante. Ninguém nunca se vê ou vê o que recebeu como realmente é, seja pra melhor ou pra pior. A grama do vizinho é sempre mais verde, o cabelo da fulana é sempre melhor, o porte físico de alguém tá mais bonito, as roupas do outro são de maior qualidade do que as minhas e por aí vai. A realidade se torna difícil de ser assumida simplesmente porque não se enxerga direito. Há cobiça dentro de cada um ainda que seja infinitamente pequena. OOOOH COBIÇA? Sim, até agora o único sentimento que nos faz querer ter o que não é nosso é esse... alguma dúvida? O problema é quando deixa de ser apenas cobiça e vira inveja, aquele fogo no olho, olho gordo, olho de inveja, mas aí é outra estória. Enquanto não conseguirmos ver o que realmente somos nunca estaremos satisfeitos conosco, e nos espelharemos em pessoas que conseqüentemente se espelharão em outras pessoas 'melhores' e o ciclo vicioso continua. Um punhado de ambição ligado à isso tudo talvez seja o que proporciona a evolução da humanidade. 'Eu quero ser mais inteligente que você, então vou estudar mais' é mais ou menos assim que funciona. 'Eu quero ser mais bonita que você, então vou me arrumar mais' nem sempre funciona assim -existem pessoas que são bonitas mesmo depois de acordar com camiseta de candidato. Enfim, não é disso que eu quero falar.
Nem sempre o que precisamos é o melhor, mas é sempre sem dúvidas o mais necessário. Um exemplo disso: não é toda mulher que tem o Tom Cruise ao seu lado (apenas a Katie Holmes) e não é por esse motivo que todas as fãs do Tom Cruise permanecem infelizes nos seus relacionamentos. As vezes aquelas pessoas feinha do seu lado já te agrada e supre as suas necessidades. Se todo mundo conseguisse o que é melhor na sua visão, a qualquer tempo e a qualquer custo iam acontecer 3 coisas: os feios não se casariam, só haveria gente rica no mundo e as guerras detonariam o planeta. Graças a Deus isso não acontece. Buscamos com intensidade o que é mais necessário e não o que é o melhor porque o conceito de 'melhor' é extremamente variável. Essa diversidade faz cada um acreditar que o que tem é o melhor e mais bonito e cada um assim fica feliz da sua maneira. A cultura nos faz ser completamente diferentes do nosso semelhante, assim como a expressão gênica regulada em cada um dos nossos genes -nadaaver.
E é essa diversidade que faz tudo ser perfeitamente incompreensível, porém necessário. Qual graça teria viver num mundo onde todo mundo se entende, se vê e se comporta igual?

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